A FEA e sua tríplice vocação:
Educacional, Social e Cultural

Sediada em Minas Gerais, estado com tradição musical que remonta à época colonial, a Fundação de Educação Artística nasceu com uma tríplice vocação: educacional, social e cultural. Seus criadores tiveram a preocupação de buscar um modelo de gestão em que essas três dimensões fossem asseguradas, bem como a característica de entidade sem fins lucrativos.

Dimensão Educacional

Quando nasceu a Fundação de Educação Artística, com uma proposta pedagógica inovadora, instalando cursos livres de música e uma série de concertos-palestra de música do século XX, estava sendo lançado o gérmen de sua ação transformadora nos 50 anos de sua existência. Instituição autônoma, sem fins lucrativos, a FEA reconhece a independência como sua principal característica: aquela que permite à entidade sua própria readequação a partir da observação da realidade e que favorece o trilhar de novas propostas, o que a mantém dinâmica e atualizada. Sua abertura característica sempre fez com que participassem da FEA, com maior ou menor intensidade, representantes de todos os movimentos da música contemporânea no Brasil, com contribuições que enriqueceram sua trajetória.

Enquanto, na década de 60, os alunos eram crianças, adolescentes já iniciados e jovens e adultos com mediana base musical, nos anos 70 teve início um grande movimento de jovens desejosos de se iniciarem na música.

Para atender a essas transformações quanto às características do público que a procurava, a FEA trabalhou exaustivamente, nas décadas de 70 e 80, na elaboração e implementação de propostas de “musicalização”, com base em treinamento auditivo e rítmico, percepção e apreciação, oficinas de criação.

A FEA chegou à década de 90 em grave crise econômico-financeira, o que a obrigou a reduzir drasticamente seus cursos. Superadas as principais dificuldades e concluída a nova sede da entidade, os cursos livres voltaram a crescer e, hoje, a FEA vive um dos seus períodos de maior vitalidade, embora permaneçam as crônicas dificuldades de manutenção.

A partir da idade de 17 anos, as pessoas interessadas que procuram a FEA para estudar são encaminhadas - através de teste não eliminatório e entrevista – ao processo de musicalização em nível adequado à sua experiência musical: ao Curso Básico, de 4 semestres, (que é o único na FEA com duração pré-determinada) ou a um dos níveis intermediários ou avançados. Ao terminarem o Básico, os alunos podem optar pelo Programa de Formação Profissionalizante – que se organiza por campos de interesse – ou por uma complementação de estudos menos exigente.

Embora a FEA não confira diplomas, tem proporcionado formação de qualidade, o que, em muitos setores da atividade musical, é o fator mais importante para a profissionalização. Estão sempre presentes a inquietação que promove as renovações e o incentivo à pesquisa e à criação, com efeitos notadamente no campo pedagógico. Hoje se utilizam no Curso Básico, com desdobramentos nos outros níveis, recursos didáticos novos ou reelaborados com referência a métodos pré-existentes. Tais recursos são criados, experimentados e sempre atualizados pelo coordenador do processo de musicalização de adultos com sua equipe.

A formação instrumental e vocal é ministrada em aulas individuais ou em pequenos grupos. Em conjunto se dão a prática de música de câmara e a participação em grupos como orquestra de cordas e de flautas.

Também no campo da formação instrumental têm surgido contribuições de valor, como o método “Violar”, para aprendizagem e ensino do violão. A FEA tem sido espaço físico e mental estimulador do surgimento de propostas renovadoras em setores da pedagogia e outros.

A Fundação de Educação Artística sempre propiciou às crianças e aos adolescentes meios para desenvolverem suas potencialidades, de maneira a que todos se sintam valorizados nas próprias características, sem nenhuma ação que promova comparações ou exclusões.

A consciência do ritmo no corpo e a percepção espacial e temporal ampliam a compreensão do “pulso” e da organização do tempo. A criança entra em contato com os parâmetros musicais através da vivência corporal que é valorizada, inicialmente, por sua espontânea expressão. Na continuidade do processo, a criança é estimulada a perceber a multiplicidade rítmica e sonora do ambiente.

Progressivamente os fatos musicais – incluindo as noções de estrutura – são reconhecidos, vindo os instrumentos rudimentares de percussão e os demais instrumentos a atuar como desdobramentos do corpo – o soprar, o percutir, o cantar. A flauta-doce é incluída também como instrumento que facilita o processo de pré-leitura e inicia a prática de tocar em grupo.

O processo de musicalização de crianças na FEA permite que cada aluno adquira progressivo domínio dos elementos da linguagem musical, levando-os a decodificar os diferentes “registros” sonoros, bem como a expressar suas próprias e individuais descobertas. São enfatizados, em todo o processo evolutivo de formação, os aspectos do desenvolvimento da percepção auditiva e da rítmica corporal.

A leitura gráfica e posteriormente a leitura da pauta musical formam um continuum da aquisição da leitura, da mesma forma como todos os processos da musicalização são vivenciados até uma diversificada e completa assimilação, antes de passar-se à grafia e à identificação da notação convencional.

A FEA reconhece no Coral um instrumento que se tem mostrado incomparável para o despertar da expressividade, do gosto pela beleza das sonoridades. A correta utilização das vozes é preparada em sintonia com exercícios de consciência corporal. O repertório abrange música tradicional e contemporânea, folclore brasileiro e música de diferentes etnias.

Contribuição ao aperfeiçoamento pedagógico

No âmbito pedagógico, merece destaque o papel desempenhado pela FEA no processo de atualização do ensino musical não só para Belo Horizonte, como também para Minas Gerais, com repercussão em outros centros de formação do País. Desde sua fundação, a FEA reuniu um corpo docente formado por especialistas nas áreas de musicalização infantil e de adolescentes e adultos, de formação vocal e instrumental, e no campo da criação, com o objetivo de oferecer regularmente cursos livres e oficinas de música em todos os níveis. Esse perfil de professores possibilitou à Fundação implantar em Belo Horizonte uma prática pedagógica baseada no aprofundamento do aspecto de criação inerente a todas as etapas do processo de formação musical, o que vem acontecendo de maneira crescente e ininterrupta ao longo dos seus 46 anos. Salientem-se, no campo pedagógico, inúmeras ações destinadas ao aperfeiçoamento e atualização de professores de música, especialmente do interior do estado. Toda essas propostas se realizam sem finalidade lucrativa, com alto índice de gratuidade.

Relação de municípios mineiros atingidos pelo Programa de Atualização de Professores de Música da FEA a partir de 1997:

  • Araguari
  • Araxá
  • Arcos
  • Betim
  • Bom Despacho
  • Caeté
  • Carangola
  • Conceição do Mato Dentro
  • Diamantina
  • Formiga
  • Governador Valadares
  • Itabirito
  • Itajubá
  • Itapecirica
  • Ituiutaba
  • Juiz de fora
  • Leopoldina
  • Montes Claros
  • Muzambinho
  • Ouro Preto
  • Pará de Minas
  • Patos de Minas
  • Patrocínio
  • Pedra Azul
  • Pedro Leopoldo
  • São João Del Rey
  • Serra do Salitre
  • Tiradentes
  • Uberaba
  • Uberlândia
  • Visconde de Rio Branco

Dimensão Social

A Fundação de Educação Artística é identificada por ser, antes de tudo, uma entidade – ou, como muitos preferem, um movimento – que persegue a universalidade do acesso à música, como um direito de todos, integrada na perspectiva do direito à cultura.

Mais do que realizar ações sociais, a Fundação se propõe ser uma entidade que age socialmente, ao responder sempre às demandas culturais da comunidade da forma mais abrangente e inclusiva.

Coerente com esse princípio, adotou a deliberação de que nenhum jovem deixaria de estudar na FEA por não ter como arcar com o custo dos estudos de música. Concede-se gratuidade total ou parcial quando é comprovada a carência. Sempre que necessário, é facultado ao aluno acesso ao instrumento escolhido. É exigida, dos beneficiários, apenas a avaliação positiva dos seus professores quanto a assiduidade, interesse e desenvolvimento, dentro dos mesmos critérios utilizados para avaliar os alunos pagantes.

Observações:

O alto índice de gratuidades praticado acarreta, no orçamento de manutenção dos cursos permanentes, um déficit mensal que chega a 30%. Em virtude desse desequilíbrio, a FEA busca apoio, para executar seus projetos, na iniciativa privada, por meio das leis de incentivo cultural. Essa captação, instável e insatisfatória, é alcançada em momentos nem sempre adequados à agenda de despesas. A FEA mantém uma equipe administrativa extremamente enxuta, coerente com uma política de permanente contenção de despesas.

A inclusão social também abrange o atendimento, em cursos não-profissionalizantes, a crianças e jovens portadores de deficiência, encaminhados à Fundação por profissionais da área da saúde. Nesses casos, a FEA procura incluir esses alunos em contexto perfeitamente habitual.

Programas específicos Programas específicos de alcance social também têm sido criados pela FEA à medida que sua necessidade é verificada e que a instituição disponha dos recursos mínimos necessários à sua implementação. Exemplos desses programas são:

  • Programa Vocacional de Formação de Instrumentistas (futuro Centro Leopold LaFosse) para crianças de comunidade carente do Aglomerado da Serra (Vila Aparecida).
  • Programa de Formação Profissionalizante de Músicos para jovens carentes do município de Belo Horizonte (MG).
  • Programa de Bolsas de Estudos de Música para crianças do município de BH.
  • Convênios com instituições e centros comunitários para a concessão de gratuidades nos cursos de música da FEA.
  • Programa de atualização para professores de música do interior do estado de Minas Gerais. Alunos do projeto Vila Aparecida Alunos assistidos pelo Programa de Formação Profissionalizante de Músicos para jovens carentes do município de Belo Horizonte (MG).

Dimensão Cultural

No âmbito da difusão cultural, em que a Fundação de Educação Artística atua de forma harmonizada com os aspectos educacional e social, têm sido priorizados os valores menos atendidos pela mídia e outros meios tradicionais de divulgação. A intensidade de sua democrática atuação repercute na vida cultural de Minas e do país.

Seu pioneirismo na promoção de programas culturais (especialmente de música contemporânea brasileira e latino-americana) é exemplo de atitude coerente - em relação a toda a história da FEA - de agir quando as instituições se omitem e prevalece o interesse comercial.

É reconhecida, nos ambientes musicais brasileiro e latino-americano, a positiva contribuição da Fundação de Educação Artística para difusão da musica contemporânea. Assim também conta os esforços que desenvolve para estimular novos criadores. Nesse último aspecto, evidencia-se número crescente e expressivo de jovens compositores com excelente formação - em Minas Gerais e em algumas regiões do Brasil - realidade da qual é justo creditar à FEA uma parcela significativa de responsabilidade.

Exemplos de eventos promovidos pela FEA, com essas características:

  • Festival de Inverno
  • Encontros de Compositores e Intérpretes Latino-Americanos
  • Ciclos de Música Contemporânea
  • Semanas de Música de Câmara
  • Manhãs Musicais
  • Ciclos de Concertos “A música no século XX”
  • Verão Arte Contemporânea
  • Simpósio de aperfeiçoamento de professores de música
  • Horizontes de Verão
  • Acordar em Julho
  • Bloomsday: dia internacional do escritor James Joyce.

Rua Gonçalves Dias, 320
CEP: 30140-090 Belo Horizonte - MG
(31) 3226 6866contato@feabh.org.br

Curta nossa página no Facebook
Ver no mapa